A Cena "Independente"
Por Milton Carlos Vicente
Bem, não sou muito bom de escrever, mas vamos la...
Vou tentar falar sobre algumas caracteristicas da Dita Cena " Independente " - que de independente não tem nada - vamos ser sinceros, pois é uma cena dependente de tudo...
Antes de começar a falar vou explicar como enxergo as "classes da musica no Mundo".
Classifico assim: Bandas A/A, A/B, B/A e B/B.
A/A : Bandas que todos conhecem: ex. : Ivete Sangalo , Capital Inicial, Paralamas, Pity, etc...
A/B : Bandas com projeção mas que não tiveram o grande BUM (Musica carro chefe): ex.: Autoramas, Cachorro Grande, Vivendo do Ocio, Toni platão, Filhos da Juditi, Velhas Virgens e
outras bandas que tem gravadora, ou as vezes não, mas que sempre estão aparecendo por ai, abrindo show de algum artista grande, dando entrevistas em midia aberta, tocando em grandes festivais, etc...
mas que ainda não conseguiram estourar ou emplacar uma grande canção em nível Nacional.
B/A: Bandas Novas que são em sua maioria respeitadas numa pequena classe de Publico, região, tipo de midia como internet, ou galera "CULT", dita entendedora de musica.
ex.: MACACO Boigo, Faixa Etaria, Os Clodoaldos, Cardioides, Drenna... Em geral são bandas que participam muito de pequenos eventos regionais - com grana ou não - a grande mairoria não tem gravadora, mas consegue de alguma forma se destacar num Circuito de festas de cidade e festivais Independentes, encontro de Motociclistas ou ate mesmo Exposições e Rodeios,
porém não atingiram nenhuma forma de Grande midia.
B/B: Bandas que começaram ontem e são pessimas Musicalmente ( sujas desafinadas etc....).
Bem começamos com a cena independente do Rio de Janeiro.
Quando montamos uma banda, queremos tocar. Procuramos eventos onde novas bandas tem oportunidade de se apresentar. O conjunto de lugares onde bandas novas tocam, denominamos de "Cena Independente", se transforma com o passar dos anos.
Quando comecei a tocar, a cena era dominada pelos festivais de bandas novas onde voce era obrigado a vender um certo numero de ingressos para concorrer a uma premiação.
Com o tempo fomos enchendo o saco desse tipo de oportunidade Leonina e passamos a frequentar os eventos onde bandas ditas "de qualidade" tinham a oportunidade de tocar sem ter que vender ingressos mas tinham que passar por uma seleção, ou "curadoria" para ter a chance de tocar.
Bem daí começamos a entender que nem tudo na musica ou na parte artistica dependia somente de voce ter uma puta banda que tocava as musicas mais dificeis do mundo, ou os melhores musicos ou os mais rapidos etc...
As coisas variavam entre voce ter um bom contato com o organizador do evento (Tipo Pucha Saco), ou ja ter um bom publico que venha para assistir seu show na casa dele ou simplismente a sorte do Produtor responsavel pelo evento Simpatizar com voce ou com sua musica.
Tem tambem as bandas que tocavam por encher muito o saco do produtor, mas essas, se não forem boas, não voltavam mais...
No Rio de Janeiro, na década de 2000, existiam otimas bandas de rock na Cena Independente, mas que foram se diluindo e se desfazendo pelas dificuldades de remuneração nas casas de Rock Underground, restando apenas as bandas que tiveram a sorte de serem pescadas por alguma gravadora, e mesmo assim muitas não arrumaram nada...
Uma dessas bandas foram: Matanza, Estela Bela, Jime James, Som da Rua (Essa foi pega pela Deck Disck do Rafael Ramos (Baba Cósmica, lembra?), mas teve seu vocalista morto num acidente de transito no Rio).
Bem depois dessa safra veio a "tendência" onde o desafinado virou moda, o Brigth Rock, com musicas Esquisitas e exoticas, ganhavam espaço enquanto o pop, o rock ,o rock Classico ficou Ultrapassado e "persona não grata" em eventos independentes.
Acreditava-se que aquela seria a nova musica, nova tendencia mundial e sei la o quê mais seria, mas sei que o grande povo, que compra os cds, paga os ingressos, não comprou essa ideia e as grandes bandas do "novo rock nacional" não despontaram com suas musicas Lado B exoticas.
Hoje vejo uma cena independente no Rio de Janeiro inexistente, não por não existir em sí, mas sim por não ter uma continuidade,
existem ótimos lugares pra se tocar, mas se voce não leva um publico (não que isso seja Obrigatorio) e no seu dia a casa não der muita gente, dificilmente o produtor do evento vai te chamar outra vez.
Existem pessoas no Rio que lutam contra todos os problemas de produção como som, luz, espaços decentes para se realizar um bom evento, falta de publico, etc... e continuam fazendo eventos independentemente se vai dar lucro ou não...Apenas fazem ...
Não se sabe porque, mas o publico carioca não tem curiozidade e paciencia para o "Novo". Em minha opinião acho que foi culpa das bandas de Brigth rock com suas desafinaçoes e Musicas exoticas que durante esses 6 anos de insistência fizeram o publico carioca acerditar que banda nova com musica autoral é sinal de banda ruim.
Logo, o publico passa a não frequentar os eventos, os mesmos ficam vazios tornado isso uma rotina, logo Cria-se uma falsa impressão que: evento de Rock de bandas novas autorais não dá lucro. E não se sabe o porque, pois mesmo se colocar um som de qualidade e bandas legais, o publico ainda não passa de 50 a 80 pessoas.
Costumo dizer que Rio é terra do Samba. Em São Paulo já é diferente. A Cena tem vida, as pessoas saem de casa pra conhecer alguma coisa diferente, casas cheias em maioria, cachês para as bandas, etc...
Em Belo Horizonte a cena se parece muito com a do Rio pela pouca frequencia, mas o publico que vai respeita e é muito interessado na sua musica. Tem casas em BH onde se voce tocar musica cover o publico sai, vai embora reclamando!!!
Com a modernidade do negócio da musica, criaram-se Circuitos de Bandas novas interligados pelo Brasil à fora. Chamo isso de "CIRCUITO FORA DO EIXO", que seria uma Organização onde tem como objetivo interligar casas de eventos, bandas, produtores, festivais de todo o Brasil criando oportunidades onde bandas de todo o pais podem circular por todos os estados fora do eixo RIO / São Paulo para divulgarem sua musica e sua arte, Usando muito de artificios de leis de Incentivo a Cultura para arrecadar Verba e atrair a iniciativa privada e grandes empresas que poderiam injetar Dinheiro.
MAs com o passar o tempo, novamente vimos que essa possibilidade de interação entre bandas pelo brasil se tornou numa grande "panela" onde somente poucas bandas de cada região conseguirao realmente circular entre os grandes festivais. E o pior: toda a verba que eles estavam conseguindo para movimentar isso tudo não estava servindo para Um incentivo inicial para bandas novas , mas sim como um "pilar" para que elas continuassen a tocar por todo brasil, pois não conseguiam criar publico, logo não faziam renda, e sempre presisavam da grana das empresas para continuarem tocando.
Acredito que se essas verbas fossem realmente injetadas e varias bandas (não somente algumas preferenciais) fossem chamadas, provavelmente surgiria alguma que realmente iria se auto sustentar. Mas não... no fim esse "CIRCUITO FORA DO EIXO" se transformou em um circuito onde so banda esquisita toca, pois não conseguiria tocar em nenhum outro lugar.
Tirando essa sujerada toda acima, Te confesso que gosto mais dessa cena atual onde o "Faça voce mesmo" ganhou muita Força, onde a gravadora pouco importa e onde qualquer um pode ser a grande estrela da ultima semana.
Acredito que novas linguagens de vendagem de uma banda para o grande publico foram emplementadas. Hoje temos um comércio aberto onde uma banda é realmente uma empresa, onde se vende camisa, CD, Musica, Show, entreterimento etc...
O "deslumbramento" da profissão caiu por terra deixando somente a parte concreta do tocar. Assim as pessoas passam a conhecer e daí comprar o Cd, camisa, etc... criando um publico cativo e seguidor que te possibilita estar fazendo outras casas com bilheteria. Além de produtores criarem interesse em te-los em seus eventos pra atrair mais publico, etc...
Mas temos a certeza que na cena existem varias bandas de todos os possiveis estilos e propostas de musica. A Qualidade varia muito; Bom ou ruim quem diz é o publico. Existem revistas e sites especializados no ramo. Criou-se uma verdadeira plataforma cultural Nova onde as pessoas e as bandas não tem medo de serem oque são, independentemente do mercado.
Milton Carlos Vicente é Baterista e Produtor.
*********************************************************************************
Com toda essa informação dada nestes ultimos posts sobre bandas autorais, já se tem um vislumbre da situação. Repito que de maneira nenhuma estou querendo desanimar ninguém. Em cada post temos citado os problemas mas tentamos dar as possíveis soluções. Se voce tem uma banda de Rock, um sonho, coragem, garra e idéias para driblar os obstáculos, VAI FUNDO! E se desejar, pode postar aqui mesmo, no Blog a sua realidade! Comente!!! Está lançado o desafio. LET THE GAME BEGIN!!!
Eu sou Ronald Sales e esse é o meu Blog ;)
Agradecendo a colaboração de Milton Carlos Vicente.

Excelente artigo Milton, concordo em grau gênero e espécie.
ResponderExcluirCada vez mais chego a conclusão de que as bandas tem que formar o mercado.
Soren Lemche
Na verdade esse é o verdadeiro significado de Banda Independente.
ResponderExcluirQuem foi pioneiro nesse movimento no final dos anos 90 foi Lobão, se não me engano, que criou uma revista especializada em coisas novas intitulada "Outra Coisa". Embora não saiba muito que fim deu tal atitude do Lobão, foi uma das mais contundentes até certo ponto, acredito eu.