sexta-feira, 1 de junho de 2012

Rock Progressivo Parte III


Jurei para mim mesmo que evitaria ser prolixo nesse tópico, mas tem horas em que vale a pena quebrar as regras. Vimos abaixo que Canterbury, com o som viajante e London central com a pegada mais sinfônica ditavam as regras na época. Mas isso em termos, porque havia uma corrente bem sucedida que ainda se fincava no psicodélico, Soft Machine, Pink Floyd e Hawkwind puxavam esse trem. E com isso influenciaram dezenas de bandas Alemãs, Belgas e Franceses. Lembrem que estamos falando de Londres de 67-68, uma Londres totalmente lisérica. Onde o clube UFO ditava o que se deveria tocar ou ouvir. Mencionei o Hawkwind e não foi por acaso, a maioria que conhece o Hawkwind só o conhece porque foi a primeira banda do Lemmy Killmeister, mas o Lemmy foi expulso da banda depois do 5.to LP e foi trabalhar como roadie para o Jimmy Hendrix e depois para o Emerson Lake & Palmer. Sim, Londres era a capital mundial da musica contemporânea, enquanto Nova Iorque era a capital mundial do pop. Pois era ali que Lieber/Stoller compunham para dezenas de bandas pop nos EUA.

Em 69-70 a psicodelia volta para o underground e a corrente sinfônica ganha cada vez mais espaço. Talentos como Keith Emerson, Tony Kaye e Tony Banks dominam as vendas de LPs e ELP, Yes e Genesis ganham fãs no mundo todo. A estrela mor do Rock Progressivo ainda era muito jovem e estava escondido numa banda de folk prog chamada Strawbs. Enquanto fazia teclados para Strawbs, o Wakeman ainda encontrava tempo para fazer arranjos para o Cat Stevens e o David Bowie. O Wakeman ainda com 18 anos de idade, trabalhava duro. Estava terminando o disco de estréia do Bowie quando recebeu um telefonema do Chris Squire do Yes. O Tony Kaye precisava ser substituído e haviam visto o Wakeman no Strawbs e queriam que o Rick fizesse um ensaio com o Yes. Terminado o ensaio, o Rick foi para o telefone e ligou para o Bowie. Dispensou a tournê do Bowie e resolveu ficar no Yes. Novo telefonema para o Strawbs e o Rick Wakeman inicia uma das mais belas jornadas de um musico inglês da década de 70. O Yes estava no meio das gravações do “Fragile” e já definindo o som da banda. O projeto estava praticamente pronto e coube ao Rick apenas lapidar os arranjos, acresentando a sua assinatura nas harmonias finais.
http://www.youtube.com/watch?v=Dg9jHTYZ-6U – The Nice (As facas no teclado foi invensão do Lemmy que na época era roadie do Keith Emerson).
No mesmo período o Keith Emerson deixa o Nice, um Power trio experimental que contava com o Lee Jackson e Brian Davison, baixo e bateria. Emerson estava se juntando ao Gregg Lake (que saia do King Crimson) e Carl Palmer para fazer Emerson Lake & Palmer. Outro Power trio importantíssimo no rock progressivo. Ao Jackson e Davison ficou ainda o lugar ao sol quando se juntam ao tecladista Suiço Patrick Moraz para fazerem um disco reverenciado até os dias de hoje, falo do Refugee, da banda hononima.
Assim, de 70-72 as principais bandas sinfônicas dominavam as maiores vendas e essas bandas, Yes, ELP, Camel, Genesis, Renaissance e Jetro Tull produziam praticamente 2 lps por ano. Contabilizando os “live” álbuns. Triumvirat da Alemanha, o Focus e o Trace da Holanda engrossavam a lista do “lado A” do sinfônico e ainda tinha o Premiata da Italia para endividar ainda mais os mais fanáticos da tribo.
O “Lado B” do prog era alimentado por dezenas de bandas alemãs e italianas; Can, Amon Dull, Nektar e Eloy alem de Tangerine Dream pelo lado alemão e Locanda Della Fate, Il Ovo di Colombo, Banco, Le Orme davam o toque italiano no prog internacional, Sim, no Brasil tivemos os Pholhas, Mutantes, O Terço, A Barca do Sol, Bacamarte, O Quarto Crescente entre outros. O time “B” inglês era Caravan, Gentle Giant, Wishbone Ash, os sobreviventes da tumultuada King Crimson, Hawkwind e outros.
Quero ressaltar aqui que o Pink Floyd nunca se considerou “Rock Progressivo”, dito pelo próprio David Gilmore. O Pink Floyd era rock psicodélico que ao fazer The Dark Side Of The Moon optou por um pop, sofisticado, comercial e de fácil digestão. Sem duvida um dos maiores discos de todos os tempos, que se vocês quizerem, dêem o rotulo de Rock Arte á obra, progressivo nunca! O que leva muita gente a considerar o Pink Floyd como progressivo é provávelmente a musica Echoes, do Meddle.
By Soren Lemche

Um comentário:

  1. Sensacional Video de "the nice". Canção clássica da américa... Excelente performance!!! Grande idéia do Lemmy com o lance das facas haha
    Lemmy não é o Pai do Rock , mas pode muito bem ser o padrinho!!!

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