sexta-feira, 8 de junho de 2012

Rock Progressivo Final

Parte IV
O Prog evolui satisfatóriamente até 1976-77, e já com alguns problemas. Da mesma forma onde a industria ajudou com o desenvolvimento de novos instrumentos, instrumentos melhores. Outra parte da industria não estava satisfeita. Com o  desenvolvimento das Radios FM, com espaço publicitário, a necessidade de musicas curtas era eminente. Lamentávelmente o prog evoluiu justamente na direção oposta, até impulsionado pelo enorme ego dos músicos de ponta, do gênero. As bandas principais lançavam épicos de 22 minutos, aqui dois exemplos: Yes com o Tales From Topographic Ocean e o Emerson Lake & Palmer com o Welcome Back My Friends (um álbum triplo ao vivo com solos intermináveis). Outro problema era as saídas dos astros das bandas originais para enveredar em carreiras solo, nem sempre bem sucedidas.
O Wakeman sai do Yes, o Peter Gabriel sai do Geneis, O Pink Floyd lança o Wish You Were Here que foi sucesso comercial mas nem tão bem recebido pelos fãs.  Só para lembrar; Sucesso Comercial é incompatível com o Prog. Nas bandas “menores” os mesmos problemas. O Focus da Hollanda, depois de fazer o fantástico Hamburger Concerto afunda com Ship Of Memories e o Jan Ackermann sai da banda, ou foi “saido” como dizem as más línguas. No Premiata e no Triumvirat as histórias não são diferentes. Fato é que ninguém teve sucesso maior do que a banda original.
O novo evento transformador se deu com o lançamento do filme Saturday Night Fever com o John Travolta. O filme foi trilhado pelo Bee Gees com a inovação de cantar em falsete. O disco foi um mega sucesso e as rádios abraçaram o pop colocando o rock progressivo na prateleira. Poucos meses depois o Peter Frampton (recém saído do Humble Pie) lança o Live; Frampton Comes Alive e vende horrores. O tour é um mega sucesso e definitivamente o Prog recebe um golpe quase fatal. Cai no ostracismo onde anos de hibernação fez a maioria dos músicos repensarem as carreiras. Bandas que tocavam para 50 mil pessoas em estádios lotados tinham que se contentar com clubes “meia boca” de 2-3 mil pagantes. O Yes virou porta de banco com gente entrando e saindo e só lá por 82-83, com a entrada do Trevor Rabin é que emplacam um sucesso que é o Owner Of A Lonely Heart. Sim, os músicos de prog lentamente voltam, sem o poder de fogo de antes, mas mostram que o gênero não estava morto. Diversas novas bandas abraçam a “causa” e ai nasce o Neo-Prog.
Na verdade o Neo Prog é composto por músicos frustrados de Heavy Metal que jamais teriam colocação naquele nicho. Exemplo clássico disso é o Dream Theater. Não sei como é que aquilo é chamado de progressivo, mas enfim.
                                     (Um exemplo de Prog Obscuro - Frompy da Alemanha)
As antigas bandas “de ponta” sobreviveram e muitos começaram a ganhar fortunas com os “Revivals” e “Reunions” e até as gravadoras se deram bem com os relançamento dos acervos em CD
O novo golpe á musica em geral foi o advento do mp3. Por um lado a pirataria fez muita gente buscar e pesquisar através dos Napsters e e-Mules da vida, aumentando a cultura e o conhecimento em geral. Só os músicos é que perderam, junto com as gravadoras.
Os heróis ficaram velhos, mas ainda fazem musica e musica de excelente qualidade, as novas bandas lutam para sobreviver e em alguns casos percebe-se a mesma paixão pela musica que os progressiveiros iniciais tinham. É o caso do Pendragon.
O mundo de 40 anos atrás não é igual ao de agora. Não há mais consenso e as “tribos” estão por demais subdivididas.
                                                           (Pendragon, Live em 2009)
O Rick Wakeman há uns 2-3 anos excursiona com um piano Steinway, um PA e um microfone, as vezes acompanhado por Jon Anderson na voz e violão. A maioria dos shows são em Centros Comunitários pelo interior da Inglaterra. Num evento desses, ao fim do show uma senhora bem idosa vai de encontro ao Rick e fala: “Meu filho, você toca maravilhosamente bem, o concerto foi encantador, meus parabéns!” O Rick agradece e é novamente interpelado pela senhorinha: “Meu filho, você tem disco gravado?”, “Sim” Responde o Rick “Gravei 130”. “E você conseguiu vender alguns deles?” Pergunta a velinha.

By Soren Lemche

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