quarta-feira, 27 de junho de 2012

Perfis de Influencias da M.I.R.

KEN HENSLEY

Iniciei esse série com o Led Zeppelin, materia postada abaixo e hoje posto uma super referencia nossa, primeiro minha, mas depois o Ronald acabou reconhecendo a genialidade do cara. Assim darei prosseguimento com o sensacional Ken Hensley.
O Ken nasceu em 24 Agosto 1945, em Londres. Formou diversas bandas, ainda adolecente até que em 70 entrou para o Uriah Heep onde havia espaço para composições mais longas e elaboradas. O Ken é primordialmente compositor, tecladista onde o Hammond B3 é o instrumento principal. É também um excelente guitarrista e ainda manda muito nos vocais. O Uriah Heep forma junto com o Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple o quadrado mágico do rock pesado do inicio da década de 70. Mas como foi a ultima banda a se formar recebeu bem menos atenção da mídia do que as outras 3. Porém a qualidade da banda lhes garantiu uma base de fãs suficiente para viver longe da mídia. O Line Up inicial do Uriah Heep foi com Mick Box na guitarra, Ken nos teclados, Lee Kerslake na bateria, Gary Thain no baixo e David Byron nos vocais.
Em 1970 lançam o “Very Eavy Very Umble”, sucesso de publico e um fracasso para a crítica. Um critico de rock americano escreveu na época: “Se essa banda chegar a lançar o segundo LP deles, eu corto meus pulsos”. (A discografia do UH conta mais de 25 lançamentos só com o Ken Hensely, será que o cara cumpriu o prometido?).
Na sequencia lançam o Salisbury, o Look At Yourself, Demons And Wizards, Magicians Birthday e o Live. Isso tudo de 1970 á 73.
Na sequencia, lançam Sweet Freedom, Wonderworld e Return To Fantasy. Em 75, durante a tournée do Return To Fantasy o baixista Gary Thain é demitido por ter lesionado a mão num choque elétrico que coagulou os tendões da mão. Era viciado em heroína e as duas coisas definitivamente não combinam. O Gary morreu de overdose em 75, aos 27 anos de idade. John Wetton o substituiu no baixo do Uriah Heep. O grande parceiro de compor e se divertir David Byron, também foi demitido da banda, o motivo; alcoolismo. Com a entrada de novos componentes, o Hensley cansou! Sim ele próprio tinha problemas com a heroína, também.
Nem o sucesso dos solos “Proud Words On A Dusty Shelf” de 73 e “Eager To Please” de 75 fizeram o Hensley ficar no Uriah Heep.

                                         Gravação para TV do July Morning, de 1972.

Ken se muda para os EUA e forma nova banda e lança o “Free Spirit” em 1980, mas sem o sucesso dos solos anteriores. Faz aparições em outras bandas e de modo geral curte a semi-aposentadoria precoce quando o produtor lhe informou sobre a morte do David Byron. Byron faleceu em conseqüência do alcoolismo, sozinho num apartamento num subúrbio de Londres. Aparentemente morreu num sábado e o corpo só foi descoberto numa quarta-feira. Ainda participou da Banda Blackfoot, de Jacksonville Flórida, mas as intermináveis tournées o fez cair fora depois do segundo disco.
O Hensley trava uma batalha inglória contra a heroína e depois de quase 10 anos reaparece com a gravação “From Time To Time”, uma coletânea de musicas dele nunca gravadas. Aqui cabe um parêntese, os músicos que cercam o Hensley são Ian Paice (Deep Purple, Whitesnake), Paul Kossof (Free) Boz Burell (King Crimson, Bad Company) entre outros.
A primeira banda do Hensley chamava se “The Gods” e tinha alem do Ken, apenas Gregg Lake, Lee Kerslake (Ozzy Osbourne, Uriah Heep) e Mick Taylor (Rolling Stones), sendo o primeiro batera o Nigel Olson (40 anos com o Elton John).

                                         Show Comemorativo de 30 anos de Uriah Heep
                                         Convidados; Ken Hensley e Thjiis Van Leer (Focus)

Depois de 2000 o Hensley já livre das drogas, se muda para Alicante na Espanha e retoma as atividades. Primeiro com um projeto que une o antigo vocal do Uriah Heep, o John Lawton. Juntos gravam antigos sucessos do Heep e sucessos próprios do Hensley, excurcionam com bastante sucesso. Em 2002 forma o Free Spirit e lança um guitarrista novo no mercado, o David Kilminster (Keith Emerson, Roger Waters). O “Running Blind” é gravado com orquestra sinfônica e o tour é um mega sucesso. Em 2004 lança o “The Last Dance” e em 2006 o “The Wizard Diaries” esse com a orquestra sinfônica de São Petersburgo. Com gigs marcados para agosto todos os anos desde 2000, o Ken é listado obrigatoriamente no MotoFest de Hamburgo, evento patrocinado pela Harley Davidson.

Em 2008 forma nova banda, dessa vez com músicos Islandeses. O Live FIre lança a opera Rock “Blood On The Highway” que conta com Glenn Huges, Jorn Lande (para quem não conhece, um dos melhores vocais de heavy metal, da nova geração), Eva Gallagher e o amigo inseparável, John Lawton. O Blood On The Highway conta a história da ascensão e queda de um ídolo do rock, as pressões das produtoras e gravadoras. Um discaço!
Nos últimos 4 anos lança “Faster” em 2011 e agora o “Love and Other Mysteries”. O Ken, alem disso ajuda e produz diversos novos talentos, inclusive a filha do Zuccero (Roqueiro Italiano).

A viceralidade da musica do Ken Hensley, não so no período Uriah Heep como também na carreira solo é um marco desse musico fantástico. Os anos iniciais do Heep tem musicas maravilhosas, e do “Santo Quarteto” o Heep talvez foi a banda de Heavy que mais “namorou” as fronteiras do progressivo. Outra “pegada” do Uriah Heep até por influencia do Hensley é uma pitada “Cigana” no rock. As baladas tem gosto de fogueira numa noite fria onde o vinho e o bom papo flui ao som de um violão de 12 cordas e flautas e violinos.
No set List da M.I.R. temos tocado Easy Living e July Morning e tem valido a pena porque os roqueiros de mais idade receberam superbem essas pérolas. Surprendentemente, em Ubá, fui questionado de forma  positiva por 3 garotos, parabenizando a banda por tocar July Morning. Tinham adorado. Bem explica-se, Minas é o lugar mais progressivo do planeta e aquela terra pulsa musica maravilhosa.

                                         Do Blood On The Highway com Jorn Lande nos vocais.
                                         De 2008.

Os vídeos daqui do post vão falar por si só. Ken Hensley com ou sem Uriah Heep é uma bela influencia que vai render muito ainda. Tenho certeza de que em breve, verei outras bandas do circuito, tocando Uriah Heep. 

Soren Lemche

segunda-feira, 25 de junho de 2012

"Formei uma Banda de Rock!!! E agora?..." - Parte V (parte final)



A Cena "Independente"
Por Milton Carlos Vicente

Bem, não sou muito bom de escrever, mas vamos la...
Vou tentar falar sobre algumas caracteristicas da Dita Cena " Independente " - que de independente não tem nada - vamos ser sinceros, pois é uma cena dependente de tudo...

Antes de começar a falar vou explicar como enxergo as "classes da musica no Mundo".
Classifico assim: Bandas A/A,  A/B, B/A e B/B.

A/A : Bandas que todos conhecem: ex. : Ivete Sangalo , Capital Inicial, Paralamas, Pity, etc...

A/B : Bandas com projeção mas que não tiveram o grande BUM (Musica carro chefe): ex.: Autoramas, Cachorro Grande, Vivendo do Ocio, Toni platão, Filhos da Juditi, Velhas Virgens e
outras bandas que tem gravadora, ou as vezes não, mas que sempre estão aparecendo por ai, abrindo show de algum artista grande, dando entrevistas em midia aberta, tocando em grandes festivais, etc...
mas que ainda não conseguiram estourar ou emplacar uma grande canção em nível Nacional.

B/A: Bandas Novas que são em sua maioria respeitadas numa pequena classe de Publico, região, tipo de midia como internet, ou galera "CULT", dita entendedora de musica.
ex.: MACACO Boigo, Faixa Etaria, Os Clodoaldos, Cardioides, Drenna... Em geral são bandas que participam muito de pequenos eventos regionais - com grana ou não - a grande mairoria não tem gravadora, mas consegue de alguma forma se destacar num Circuito de festas de cidade e festivais Independentes, encontro de Motociclistas ou ate mesmo Exposições e Rodeios,
porém não atingiram nenhuma forma de Grande midia.

B/B: Bandas que começaram ontem e são pessimas Musicalmente ( sujas desafinadas etc....).

Bem começamos com a cena independente do Rio de Janeiro.
Quando montamos uma banda, queremos tocar. Procuramos eventos onde novas bandas tem oportunidade de se apresentar. O conjunto de lugares onde bandas novas tocam, denominamos de "Cena Independente", se transforma com o passar dos anos.

Quando comecei a tocar, a cena era dominada pelos festivais de bandas novas onde voce era obrigado a vender um certo numero de ingressos para concorrer a uma premiação.
Com o tempo fomos enchendo o saco desse tipo de oportunidade Leonina e passamos a frequentar os eventos onde bandas ditas "de qualidade" tinham a oportunidade de tocar sem ter que vender ingressos mas tinham que passar por uma seleção, ou "curadoria" para ter a chance de tocar.

Bem daí começamos a entender que nem tudo na musica ou na parte artistica dependia somente de voce ter uma puta banda que tocava as musicas mais dificeis do mundo, ou os melhores musicos ou os mais rapidos etc...
As coisas variavam entre voce ter um bom contato com o organizador do evento (Tipo Pucha Saco), ou ja ter um bom publico que venha para assistir seu show na casa dele ou simplismente a sorte do Produtor responsavel pelo evento Simpatizar com voce ou com sua musica.

Tem tambem as bandas que tocavam por encher muito o saco do produtor, mas essas, se não forem boas, não voltavam mais...

No Rio de Janeiro, na década de 2000, existiam otimas bandas de rock na Cena Independente, mas que foram se diluindo e se desfazendo pelas dificuldades de remuneração nas casas de Rock Underground, restando apenas as bandas que tiveram a sorte de serem pescadas por alguma gravadora, e mesmo assim muitas não arrumaram nada...

Uma dessas bandas foram: Matanza, Estela Bela, Jime James, Som da Rua (Essa foi pega pela Deck Disck do Rafael Ramos (Baba Cósmica, lembra?), mas teve seu vocalista morto num acidente de transito no Rio).
Bem depois dessa safra veio a "tendência" onde o desafinado virou moda, o Brigth Rock, com musicas Esquisitas e exoticas, ganhavam espaço enquanto o pop, o rock ,o rock Classico ficou Ultrapassado e "persona não grata" em eventos independentes.

Acreditava-se que aquela seria a nova musica, nova tendencia mundial e sei la o quê mais seria, mas sei que o grande povo, que compra os cds, paga os ingressos, não comprou essa ideia e as grandes bandas do "novo rock nacional" não despontaram com suas musicas Lado B exoticas.

Hoje vejo uma cena independente no Rio de Janeiro inexistente, não por não existir em sí, mas sim por não ter uma continuidade,
existem ótimos lugares pra se tocar, mas se voce não leva um publico (não que isso seja Obrigatorio) e no seu dia a casa não der muita gente, dificilmente o produtor do evento vai te chamar outra vez.
Existem pessoas no Rio que lutam contra todos os problemas de produção como som, luz, espaços decentes para se realizar um bom evento, falta de publico, etc... e continuam fazendo eventos independentemente se vai dar lucro ou não...Apenas fazem ...
Não se sabe porque, mas o publico carioca não tem curiozidade e paciencia para o "Novo". Em minha opinião acho que foi culpa das bandas de Brigth rock com suas desafinaçoes e Musicas exoticas que durante esses 6 anos de insistência fizeram o publico carioca acerditar que banda nova com musica autoral é sinal de banda ruim.
Logo, o publico passa a não frequentar os eventos, os mesmos ficam vazios tornado isso uma rotina, logo Cria-se uma falsa impressão que: evento de Rock de bandas novas autorais não dá lucro. E não se sabe o porque, pois mesmo se colocar um som de qualidade e bandas legais, o publico ainda não passa de 50 a 80 pessoas.
Costumo dizer que Rio é terra do Samba. Em São Paulo já é diferente. A Cena tem vida, as pessoas saem de casa pra conhecer alguma coisa diferente, casas cheias em maioria, cachês para as bandas, etc...

Em Belo Horizonte a cena se parece muito com a do Rio pela pouca frequencia, mas o publico que vai respeita e é muito interessado na sua musica. Tem casas em BH onde se voce tocar musica cover o publico sai, vai embora reclamando!!!
Com a modernidade do negócio da musica, criaram-se Circuitos de Bandas novas interligados pelo Brasil à fora. Chamo isso de "CIRCUITO FORA DO EIXO", que seria uma Organização onde tem como objetivo interligar casas de eventos, bandas, produtores, festivais  de todo o Brasil criando oportunidades onde bandas de todo o pais podem circular por todos os estados fora do eixo RIO / São Paulo para divulgarem sua musica e sua arte, Usando muito de artificios de leis de Incentivo a Cultura para arrecadar Verba e atrair a iniciativa privada e grandes empresas que poderiam injetar Dinheiro.

MAs com o passar o tempo, novamente vimos que essa possibilidade de interação entre bandas pelo brasil se tornou numa grande "panela" onde somente poucas bandas de cada região conseguirao realmente circular entre os grandes festivais. E o pior: toda a verba que eles estavam conseguindo para movimentar isso tudo não estava servindo para Um incentivo inicial para bandas novas , mas sim como um "pilar" para que elas continuassen a tocar por todo brasil, pois não conseguiam criar publico, logo não faziam renda, e sempre presisavam da grana das empresas para continuarem tocando.

Acredito que se essas verbas fossem realmente injetadas e varias bandas (não somente algumas preferenciais) fossem chamadas, provavelmente surgiria alguma que realmente iria se auto sustentar. Mas não... no fim esse "CIRCUITO FORA DO EIXO" se transformou em um circuito onde so banda esquisita toca, pois não conseguiria tocar em nenhum outro lugar.

Tirando essa sujerada toda acima, Te confesso que gosto mais dessa cena atual onde o "Faça voce mesmo" ganhou muita Força, onde a gravadora pouco importa e onde qualquer um pode ser a grande estrela da ultima semana.
Acredito que novas linguagens de vendagem de uma banda para o grande publico foram emplementadas. Hoje temos um comércio aberto onde uma banda é realmente uma empresa, onde se vende camisa, CD, Musica, Show, entreterimento etc...

O "deslumbramento" da profissão caiu por terra deixando somente a parte concreta do tocar. Assim as pessoas passam a conhecer e daí comprar o Cd, camisa, etc... criando um publico cativo e seguidor que te possibilita estar fazendo outras casas com bilheteria. Além de produtores criarem interesse em te-los em seus eventos pra atrair mais publico, etc...
Mas temos a certeza que na cena existem varias bandas de todos os possiveis estilos e propostas de musica. A Qualidade varia muito; Bom ou ruim quem diz é o publico. Existem revistas e sites especializados no ramo. Criou-se uma verdadeira plataforma cultural Nova onde as pessoas e as bandas não tem medo de serem oque são, independentemente do mercado.

Milton Carlos Vicente é Baterista e Produtor.

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Com toda essa informação dada nestes ultimos posts sobre bandas autorais, já se tem um vislumbre da situação. Repito que de maneira nenhuma estou querendo desanimar ninguém. Em cada post temos citado os problemas mas tentamos dar as possíveis soluções. Se voce tem uma banda de Rock, um sonho, coragem, garra e idéias para driblar os obstáculos, VAI FUNDO! E se desejar, pode postar aqui mesmo, no Blog a sua realidade! Comente!!! Está lançado o desafio. LET THE GAME BEGIN!!!

Eu sou Ronald Sales e esse é o meu Blog ;)
Agradecendo a colaboração de Milton Carlos Vicente.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Perfis das Influencias da M.I.R.

Com essa série, Ronald e eu iremos postar os perfis que influenciam as nossas acaloradas discussões sobre o que poderíamos tocar e tentaremos mostrar de onde vem o nosso camaleônico set list. Não quero absolutamente fazer a listagem em ordem de importância, e escreverei apenas conforme os nomes surgirem, sozinhos, de forma aleatória.
Quando comecei a ouvir musica e prestar atenção á musica, morava na Dinamarca. Com ca. 10 anos de idade ganhei um radio transistorizado. As rádios dinamarquesas eram sofríveis tocando pop local cantado em dinamarquês, um horror ! Porém em Ondas Curtas, havia uma radio: A Radio Europa Livre ( depois se chamou Radio Luxembourg One). Era uma radio encravada na pequena Luxemburgo com um sinal potentíssimo, e a instalação ali era para sacanear os russos e toda a galera do lado errado da cortina de ferro. A radio tocava basicamente rock n roll, de Bill Haley and The Comets à Led Zeppelin. Sempre em sets de 3 musicas e depois uma fala do loucutor sobre a liberdade de se morar na Europa Livre das ditaduras comunistas. Claro que alem do rock n roll puro, daquelas bandas da década de 50 (The Platters, The Coasters, The Drifters, Dell Vikings, Danny and The Juniors, Bill Haley, Little Richards, Jerry Lee Lewis, Chuck Berry, Elvis, Fats Domino, The Skyliners, The Ronettes, The Shirelles e outros.) tinha aqueles que a minha mãe ouvia; Cliff Richards, Petúlia Clark, Tom Jones e Herb Albert and The Tijuana Brass. A minha mãe tinha, junto com a minha prima, uma coleção enorme de LPs do Elvis e as duas eram malucas pelo Elvis. Meu pai era mais “cool” e quando não ouvia musica clássica, se deliciava com o som das Big Bands de jazz de antes da guerra de 1940. (Gene Krupa e Tommy Dorsey, para ser exato).  Lembrem que naquele período a Europa era tomada por uma febre chamada Beatles e uma outra febre chamada Rolling Stones, para contrabalançar.
No outono de 1969 duas musicas eram tocadas na Radio Europa Livre que mudaram a minha percepção musical. Uma era “Whole Lotta Love” do Willie Dixon executado pelo Led Zeppelin.
A outra era “Hey Joe” do Jimmy Hendrix (e que na verdade não é do Hendrix, mas de Billy Roberts). Essas duas musicas eram super tocadas naquela radio e eu ouvia encantadíssimo.

LED ZEPPELIN
Formado inicialmente como o New Yardbirds em 68, após a falência do Yardbirds. Jimmy Page, John Bonham, John Paul Jones e Robert Plant mudam o nome para Led Zeppelin e conseguem um belo contrato com a Atlantic Records. Excurcionaram como “New Yardbirds” e fizeram o primeiro gig, na formação Led Zeppelin....Na Dinamarca ! O primeiro LP trouxe uma sonoridade pesada com uma imensa liberdade criativa. O álbum tem dois “covers” de Willie Dixon, um bluseiro de Mississippi que tinha caído no ostracismo já havia anos.
O LP foi superbem recebido pelo publico e pela crítica que até hoje considera esse disco um dos maiores de todos os tempos.
Track List:
1)      Good Times Bad Times
2)      Baby Im Gonna Leave You
3)      You Shock Me
4)      Dazed And Confused
5)      Your Time Is Gonna Come
6)      Black Mountain Side
7)      Communication Breakdown
8)      I Cant Quit You Baby
9)      How Many More Times

Não havia duvida de que a guitarra do Page e a bateria pesada do Bonham eram o grande diferencial do Zeppelin, porém o grande arranjador John Paul Jones e o vocal fantástico do Plant encontraram algo perto da perfeição naquele quarteto. O rock tinha ganho em qualidade e quantidade seguindo a tendência de tocar pesado. Agora não vamos exagerar e de cara chamar o Zeppelin de a primeira banda de Heavy Metal, porque não é. O Zeppelin não fez nada que outros não tinham feito antes. Os Power Trios to tipo Cream já tocavam blues pesadíssimo antes de o Led Zeppelin ter se formado. O Black Sabbath já tinha gravado o primeiro LP antes do Led Zeppelin e o Tommy Iommy já tinha introduzido a 5.a diminuta (“Diabo na Música”) em  diversas musicas  do Sabbath. Para mim o primeiro projeto de Heavy Metal sempre será o Blue Cheer.  Uriah Heep tem formação inicial datando de 67 e Deep Purple em 68. Assim, Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple e Uriah Heep literalmente ditaram a sonoridade do Rock pesado do final da década de 60 até pouco depois de 78.
O que diferenciava o Zeppelin dos demais  foi a sempre bem colocada, balada folk rock ou blues rasgado entre as faixas de maior “Peso”. Uma formatação sempre seguido pelos demais, exceto o Black Sabbath, é claro ! Outra proeza do Zeppelin foi de atrair bem o publico feminino, coisa que a banda do Ozzy nem a Uriah Heep e nem Deep Purple conseguiam. O som do Sabbath era “dark” e o Uriah Heep era meio progressivo demais. O Purple, bem o Purple lutava com altos e baixos e tinha um repertório que para alguns era meio blues demais ou meio indefinido demais.
Quando o Led Zeppelin lança o Led Zeppelin II, em outubro de 69, o LP com o Whole Lotta Love indo para o primeiro lugar nas paradas de sucesso nos EUA, com 3 semanas de lançado. Desnecessário dizer que o II vendeu horrores, repetindo a formula de “entortar” blues num formato pesado e o Page fazendo escola “fritando” as cordas no “Heartbreaker”, formando uma nova casta de guitarristas; os shredders. A estrada do Heavy Metal estava pavimentada e a tendência delineada. Mas acima de tudo o Led Zeppelin soube manter o padrão de musica/estilo/repertório e postura. Conquistando fãs no mundo todo.
Ao lançarem o Led Zeppelin III em outubro de 1970, a banda fez uma pagina de propaganda na revista Melody Maker agradecendo os fãs: “Obrigado Por Nos Fazer A Banda Numero 1 Do Planeta”. Porém os fãs esperavam um Whole Lotta Love Parte 2 que não aconteceu. Assim por ter 3 musicas acústicas, muitos preferiram ouvir Paranoid do Sabbath ! O Immigrant Song e o Since I’ve Been Loving You salvam o LP, sem duvidas. Alias, o Since I’ve Been Loving You é para mim o maior blues de todos.



No ano seguinte vem o Led Zeppelin IV que vende 32 milhões de copias e ganha status de super álbum. É um desses albums que todo mundo deveria ter. Já cansei de ouvir, e agora descanso ouvindo. Stairway to Heaven, Black Dog, Rock n Roll, Misty Mountain Top, Going To California, Battle Of Evermore, Four Sticks e When The Levee Breaks compõem, não na ordem, um disco perfeito. E confesso; tocando o Stairway To Heaven com a M.I.R. sempre rola uma lagrima minha. A musica é “batida”? Sim, mas é para mim uma honra tocar como também curto por demais tocar Rock n Roll. Ainda mais sabendo que o Piano do Rock N Roll é do Ian Stewart. (sim aquele mesmo que foi sacado dos Rolling Stones porque a gravadora achava que tinha gente demais na banda e o Stewart era mais velho que os Stones!)
A banda atinge status de “Deuses” e lançam em seguida o The House Of The Holy, Physical Graffitti, Presence, In Through The Out Door e Coda, na sequencia, sendo o Coda de 1982, já “póstumo” ao óbito do baterista John Bonham que faleceu em 1980 por entoxicação alcoólica.
A banda optou pelo desmembramento. Passados mais de 20 anos o Plant e Page se reúnem e viajam com o “No Quarter” Tour, pelo mundo afora, sem o John Paul Jones.
Sim, Led Zeppelin é uma das nossas grandes influencias, mas isso acredito que seja comum para todas as bandas amadoras de rock n roll do planeta. Rock é seguramente sinônimo de Led Zeppelin, também.

terça-feira, 19 de junho de 2012

"Formei uma Banda de Rock!!! E agora?..." - Parte V (continuação)

Cover ou Autoral? Os Dois?? (continuação)
Minha experiência com trabalho foi, na maioria dos csos frustrante por motivos diversos. Mas deve ser extremamente gratificante ver sua musica mudando vidas (e por que não a nossa também?), tocando nas rádios, fazendo História. Como meu conhecimento é limitado e minha experiência no assunto "banda Autoral" não é das melhores, resolvi convocar amigos do Ramo para colaborar com esse assunto que dá pano pra manga. Dois deles, atuantes no mercado Autoral, cada um à sua maneira, conseguindo resultados no mínimo satisfatórios tendo em vista as dificuldades apresentadas e os desafios mais que lançados.
Começarei com a colaboração do Baixista e Ativista Cultural Roberto Maná, com uma vasta experiência na chamada "Cena Independente". Abaixo temos o artigo publicado por Maná em 2008, porém, declarado pelo próprio: "As coisas passam  e ainda continuam atuais". Lembrando que meu objetivo aqui é DE MANEIRA NENHUMA "meter o Pau" ou desencorajar os que querem entrar no jogo. Estou apenas mostrando a REALIDADE de forma que voce, caro leitor, com uma idéia brilhante na cabeça, seja de alguma forma ajudado a alcançar seus objetivos com sua banda de Rock. MANDA BALA, MANÁ!!!
Entre a cruz e a estrada

Por Roberto Maná


"É fato que o rock do Rio de Janeiro vive momentos difíceis e porque não dizer no Brasil. No contexto underground não poderia ser diferente, mesmo para bandas que não sejam fundamentalmente roqueiras. Vejo a cena carioca como um grande berçário nacional de bandas underground, com muita qualidade e enorme diversidade artística, mas devido à escassez de lugares, produtores oportunistas e condições “imorais” para se tocar, a imagem não parece estar muito boa. O espírito de uma década não obedeceu aos seus sinais e símbolos.

Outro aspecto negativo é a postura do público, que por sua vez, não presta atenção no que está acontecendo na cena independente e fica antenado apenas no que está nas “ondas” do rádio, acabando por banalizar o underground e dissolver o cenário. O artista tem que ir onde seu povo está ou seu povo tem que ir onde o artista está? Contudo, no universo paralelo do underground, o nosso rock retrocedeu.

Enquanto isso, os eventos “caça-níqueis” surgem a todo vapor. E eu pergunto: onde estão os caras que lutavam e cantavam? As bandas estão olhando somente para os próprios problemas sem perceber que elas também são responsáveis por criá-los. Competem tanto entre si, que as conseqüências acabam sendo negativas para todos nós.


Retrocedemos em todos os sentidos, parece que temos os mesmos entraves do começo, mas o que não nos mata nos torna mais forte.

Falta uma cena alternativa mais coesa e organizada. Temos praticamente que reconquistar tudo, mostrar que está na hora de pensar em nos aproximar, tocar sem que se precise pagar por isso ou levar seu próprio amplificador, fazer com que as bandas que estão no anonimato, possam aos poucos, se inserir no underground carioca. Rock se faz com atitude! Caso contrário, bota aí que eu toco com o Kurt Cobain e o Keith Moon em cima de uma mesa de um centro espírita."

Obrigado, Roberto Maná pela colaboração!
Eu sou Ronald Sales e esse é o meu Blog ;)
(continua...)

segunda-feira, 18 de junho de 2012

"Formei uma Banda de Rock!!! E agora?..." - Parte V


Cover ou Autoral? Os Dois??

Vivemos em época de crise. Economica, Social e Artística. Existe coisa boa ainda? Sim. Não como. antes, mas ainda existe! O fato é que as pessoas com ouvidos receptivos a coisas boas está cada vez mais raro. A visão do Lucro Imediato tem "enlatado" o publico com conteúdo altamente questionável e de pouca utilidade. Ouvidos "educados" desde a infancia a escutar "Boquinha da Garrafa", "Créeeeeu", "Vc vc vc vc vc" entre outras coisas não tem ajudado muito as pessoas a "pensar". Uma analogia: Um povo que se acostuma por duas décadas a ter apenas "fastfood" na sua dieta, dificilmente terá facilidade em reeducar sua alimentação mudando, ou pelo menos incluindo Frutas, Legumes e verduras em sua dieta. Porém tal dificuldade não invalida os benefícios de equilibrar sua deliciosa, porém prejudicial junkfood com algo mais saudável. Transporte a situação para o Mercado Fonográfico e entenderá a situação complicada em que se encontram as bandas Autorais que tem por objetivo ser atuante e bem sucedida nesse mercado. Estou sendo pessimista? Realista, eu diria. O Objetivo deste post é desanimar os sonhadores? DE FORMA ALGUMA! Aos sonhadores e corajosos que querem mudar o mundo, ou pelo menos o seu mundo, eu dou a maior Força!!!  
"MANUAL PRÁTICO DE COMO CHEGAR AO SUCESSO"

Em primeiro lugar, NÃO SE ILUDA. Não existe uma fórmula infalível, o que existe são exemplos bem e mal sucedidos no decorrer da história da música que podemos nos beneficiar, aprender e passar à frente. Mas uma coisa é certa:

Em 99,99% dos casos, uma banda de sucesso é o resultado de EXCELENTES MUSICAS sendo executadas por EXCELENTES MUSICOS, lapidados por EXCELENTES ARRANJADORES e captados por EXCELENTES PRODUTORES.

Então, se voce, caro leitor, tem uma Banda de Rock, musicas próprias para tocar, determinação para alcançar seus objetivos, KEEP WALKING! Ninguém começa um trabalho já com todos os fatores acima citados na palma da mão. São conquistas gradativas. Portanto, comece com boas musicas!

Mas boas musicas não caem do céu, certo? Então é uma questão de sorte? Estar na hora certa, no lugar certo, com a pessoa certa? Ter sorte sempre ajuda! Mas de qualquer forma, temos modos de "chamar" a sorte a nosso favor, contribuindo para que - se chegar - quando chegar - o momento de sorte, estaremos preparados para isso. Como?
Quer trabalhar com musica? ESTUDE MUSICA! Qualquer informação teórica, troca de idéias, prática, conhecimento sobre outras artes... TUDO ISSO contribui para vc ser um bom Musico, consequentemente fazer boas musicas, etc... Não que isso também seja um fator determinante em todos os casos, mas em 99,99% deles, quem entende ou domina a Linguagem em que se quer trabalhar (no caso, a Musica), sai na frente, não acha?

Um exemplo: Voce faria uma ponte de safena com alguém que se diz médico, mas sequer cursou uma faculdade de medicina?  Por que teria que ser diferente quando o assunto é Música?

A Responsábilidade social de um artista é muito grande, porque mexemos com as emoções das pessoas. Vamos fundo dentro do coração figurativo de cada um. Isso é um assunto muito delicado. O problema se agrava quando o "Paciente" não quer "tomar o remédio" ou "aceitar determinado tratamento". Desistimos dele? NUNCA! Aí está o desafio lançado: Dominar a Linguagem Musical a ponto de conseguir usar as ferramentes certas para conquistar determinado publico, mesmo que ele não seja tão acessível assim devido a décadas de maus "Hábitos Musicais".

Eu sou Ronald Sales e esse é o meu Blog ;)

                                                                                                                                                continua...





quinta-feira, 14 de junho de 2012

Novidades a Caminho...

É... eu sei que andei sumido. Mas foi por uma boa causa! Estou colhendo materia prima para os próximos posts. Vem coisa boa por aí, mas ANTES falarei sobre os fatores restantes referentes ao tópico "Banda de Rock" e passaremos a falar um pouco mais sobre a minha Banda de Rock (MADE IN ROCK) onde vamos falar sobre as bandas que influênciam o som da MIR e o porque disso tudo.
História, Curiosidades, Fatos inusitados... o que soubermos sobre as bandas será compartilhado aqui no Blog. Teremos a série "Papo Rock", postaremos Videos, Lições de Teoria Musical em diversos aspectos, Guitarra, Piano, Teclado...tudo isso a médio prazo.  
Estamos na fase de Pós-produção do nosso Primeiro CD de Covers que me deu mais um pouco de experiencia para compartilhar sobre produção musical por mais que seja ainda um bebê nessa área.
Com o Primeiro CD da MIR "Pronto" onde produzi, Mixei e Masterizei posso refletir sobre o trabalho que deu... Minha segunda Produção em que chego ao fim... foi um conjunto de erros e acertos que devemos levar para os nossos próximos trabalhos como lição sobre o que fazer e principalmente o que NÃO FAZER.. A maior lição que tive foi: TER LIMITE É LIBERTADOR
Enfim, estamos trabalhando para a sua comodidade :)
Aguardem!!!

Ronald Sales

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Rock Progressivo Final

Parte IV
O Prog evolui satisfatóriamente até 1976-77, e já com alguns problemas. Da mesma forma onde a industria ajudou com o desenvolvimento de novos instrumentos, instrumentos melhores. Outra parte da industria não estava satisfeita. Com o  desenvolvimento das Radios FM, com espaço publicitário, a necessidade de musicas curtas era eminente. Lamentávelmente o prog evoluiu justamente na direção oposta, até impulsionado pelo enorme ego dos músicos de ponta, do gênero. As bandas principais lançavam épicos de 22 minutos, aqui dois exemplos: Yes com o Tales From Topographic Ocean e o Emerson Lake & Palmer com o Welcome Back My Friends (um álbum triplo ao vivo com solos intermináveis). Outro problema era as saídas dos astros das bandas originais para enveredar em carreiras solo, nem sempre bem sucedidas.
O Wakeman sai do Yes, o Peter Gabriel sai do Geneis, O Pink Floyd lança o Wish You Were Here que foi sucesso comercial mas nem tão bem recebido pelos fãs.  Só para lembrar; Sucesso Comercial é incompatível com o Prog. Nas bandas “menores” os mesmos problemas. O Focus da Hollanda, depois de fazer o fantástico Hamburger Concerto afunda com Ship Of Memories e o Jan Ackermann sai da banda, ou foi “saido” como dizem as más línguas. No Premiata e no Triumvirat as histórias não são diferentes. Fato é que ninguém teve sucesso maior do que a banda original.
O novo evento transformador se deu com o lançamento do filme Saturday Night Fever com o John Travolta. O filme foi trilhado pelo Bee Gees com a inovação de cantar em falsete. O disco foi um mega sucesso e as rádios abraçaram o pop colocando o rock progressivo na prateleira. Poucos meses depois o Peter Frampton (recém saído do Humble Pie) lança o Live; Frampton Comes Alive e vende horrores. O tour é um mega sucesso e definitivamente o Prog recebe um golpe quase fatal. Cai no ostracismo onde anos de hibernação fez a maioria dos músicos repensarem as carreiras. Bandas que tocavam para 50 mil pessoas em estádios lotados tinham que se contentar com clubes “meia boca” de 2-3 mil pagantes. O Yes virou porta de banco com gente entrando e saindo e só lá por 82-83, com a entrada do Trevor Rabin é que emplacam um sucesso que é o Owner Of A Lonely Heart. Sim, os músicos de prog lentamente voltam, sem o poder de fogo de antes, mas mostram que o gênero não estava morto. Diversas novas bandas abraçam a “causa” e ai nasce o Neo-Prog.
Na verdade o Neo Prog é composto por músicos frustrados de Heavy Metal que jamais teriam colocação naquele nicho. Exemplo clássico disso é o Dream Theater. Não sei como é que aquilo é chamado de progressivo, mas enfim.
                                     (Um exemplo de Prog Obscuro - Frompy da Alemanha)
As antigas bandas “de ponta” sobreviveram e muitos começaram a ganhar fortunas com os “Revivals” e “Reunions” e até as gravadoras se deram bem com os relançamento dos acervos em CD
O novo golpe á musica em geral foi o advento do mp3. Por um lado a pirataria fez muita gente buscar e pesquisar através dos Napsters e e-Mules da vida, aumentando a cultura e o conhecimento em geral. Só os músicos é que perderam, junto com as gravadoras.
Os heróis ficaram velhos, mas ainda fazem musica e musica de excelente qualidade, as novas bandas lutam para sobreviver e em alguns casos percebe-se a mesma paixão pela musica que os progressiveiros iniciais tinham. É o caso do Pendragon.
O mundo de 40 anos atrás não é igual ao de agora. Não há mais consenso e as “tribos” estão por demais subdivididas.
                                                           (Pendragon, Live em 2009)
O Rick Wakeman há uns 2-3 anos excursiona com um piano Steinway, um PA e um microfone, as vezes acompanhado por Jon Anderson na voz e violão. A maioria dos shows são em Centros Comunitários pelo interior da Inglaterra. Num evento desses, ao fim do show uma senhora bem idosa vai de encontro ao Rick e fala: “Meu filho, você toca maravilhosamente bem, o concerto foi encantador, meus parabéns!” O Rick agradece e é novamente interpelado pela senhorinha: “Meu filho, você tem disco gravado?”, “Sim” Responde o Rick “Gravei 130”. “E você conseguiu vender alguns deles?” Pergunta a velinha.

By Soren Lemche

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Rock Progressivo Parte III


Jurei para mim mesmo que evitaria ser prolixo nesse tópico, mas tem horas em que vale a pena quebrar as regras. Vimos abaixo que Canterbury, com o som viajante e London central com a pegada mais sinfônica ditavam as regras na época. Mas isso em termos, porque havia uma corrente bem sucedida que ainda se fincava no psicodélico, Soft Machine, Pink Floyd e Hawkwind puxavam esse trem. E com isso influenciaram dezenas de bandas Alemãs, Belgas e Franceses. Lembrem que estamos falando de Londres de 67-68, uma Londres totalmente lisérica. Onde o clube UFO ditava o que se deveria tocar ou ouvir. Mencionei o Hawkwind e não foi por acaso, a maioria que conhece o Hawkwind só o conhece porque foi a primeira banda do Lemmy Killmeister, mas o Lemmy foi expulso da banda depois do 5.to LP e foi trabalhar como roadie para o Jimmy Hendrix e depois para o Emerson Lake & Palmer. Sim, Londres era a capital mundial da musica contemporânea, enquanto Nova Iorque era a capital mundial do pop. Pois era ali que Lieber/Stoller compunham para dezenas de bandas pop nos EUA.

Em 69-70 a psicodelia volta para o underground e a corrente sinfônica ganha cada vez mais espaço. Talentos como Keith Emerson, Tony Kaye e Tony Banks dominam as vendas de LPs e ELP, Yes e Genesis ganham fãs no mundo todo. A estrela mor do Rock Progressivo ainda era muito jovem e estava escondido numa banda de folk prog chamada Strawbs. Enquanto fazia teclados para Strawbs, o Wakeman ainda encontrava tempo para fazer arranjos para o Cat Stevens e o David Bowie. O Wakeman ainda com 18 anos de idade, trabalhava duro. Estava terminando o disco de estréia do Bowie quando recebeu um telefonema do Chris Squire do Yes. O Tony Kaye precisava ser substituído e haviam visto o Wakeman no Strawbs e queriam que o Rick fizesse um ensaio com o Yes. Terminado o ensaio, o Rick foi para o telefone e ligou para o Bowie. Dispensou a tournê do Bowie e resolveu ficar no Yes. Novo telefonema para o Strawbs e o Rick Wakeman inicia uma das mais belas jornadas de um musico inglês da década de 70. O Yes estava no meio das gravações do “Fragile” e já definindo o som da banda. O projeto estava praticamente pronto e coube ao Rick apenas lapidar os arranjos, acresentando a sua assinatura nas harmonias finais.
http://www.youtube.com/watch?v=Dg9jHTYZ-6U – The Nice (As facas no teclado foi invensão do Lemmy que na época era roadie do Keith Emerson).
No mesmo período o Keith Emerson deixa o Nice, um Power trio experimental que contava com o Lee Jackson e Brian Davison, baixo e bateria. Emerson estava se juntando ao Gregg Lake (que saia do King Crimson) e Carl Palmer para fazer Emerson Lake & Palmer. Outro Power trio importantíssimo no rock progressivo. Ao Jackson e Davison ficou ainda o lugar ao sol quando se juntam ao tecladista Suiço Patrick Moraz para fazerem um disco reverenciado até os dias de hoje, falo do Refugee, da banda hononima.
Assim, de 70-72 as principais bandas sinfônicas dominavam as maiores vendas e essas bandas, Yes, ELP, Camel, Genesis, Renaissance e Jetro Tull produziam praticamente 2 lps por ano. Contabilizando os “live” álbuns. Triumvirat da Alemanha, o Focus e o Trace da Holanda engrossavam a lista do “lado A” do sinfônico e ainda tinha o Premiata da Italia para endividar ainda mais os mais fanáticos da tribo.
O “Lado B” do prog era alimentado por dezenas de bandas alemãs e italianas; Can, Amon Dull, Nektar e Eloy alem de Tangerine Dream pelo lado alemão e Locanda Della Fate, Il Ovo di Colombo, Banco, Le Orme davam o toque italiano no prog internacional, Sim, no Brasil tivemos os Pholhas, Mutantes, O Terço, A Barca do Sol, Bacamarte, O Quarto Crescente entre outros. O time “B” inglês era Caravan, Gentle Giant, Wishbone Ash, os sobreviventes da tumultuada King Crimson, Hawkwind e outros.
Quero ressaltar aqui que o Pink Floyd nunca se considerou “Rock Progressivo”, dito pelo próprio David Gilmore. O Pink Floyd era rock psicodélico que ao fazer The Dark Side Of The Moon optou por um pop, sofisticado, comercial e de fácil digestão. Sem duvida um dos maiores discos de todos os tempos, que se vocês quizerem, dêem o rotulo de Rock Arte á obra, progressivo nunca! O que leva muita gente a considerar o Pink Floyd como progressivo é provávelmente a musica Echoes, do Meddle.
By Soren Lemche