segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A EXPLOSÃO DA PRODUÇÃO MUSICAL INDEPENDENTE


Ainda me lembro das minhas primeiras experiências com gravação "Multitrack" que fiz durante a minha tímida e tolhida adolescência que acabou me ajudando a ter mais tempo livre pra ficar brincando de "inventor" com as engenhocas que eu tinha em casa... em contrapartida me atrasou em todo o resto... rsrsrs

Estudava na EMVL, estava começando a descobrir a Guitarra e a Linguagem Musical como uma "arma" para tocar o coração das pessoas e por que não, o coração de uma menina da minha época... ah a adolescência... Depois de escutar "Bing and Grab" de um tal BUCKETHEAD na extinta PROGRESSIVO FM 98.9 e quase cair da escada com o que ouvi, compus uma Musica chamada "A Pretty Girl in my life", um Rock instrumental bem legal pra minha época (toda a minha família adorou! haha) mas me deparei com um problema:
Quem viu meus posts sobre Banda de Rock já sabe que naquela época ninguém queria tocar comigo (até agora não sei o por quê!!). As Guitarras base eu mesmo podia fazer... mas e o resto? Bateria?! Baixo?! Até que tive uma idéia... uma grande idéia por sinal... nos idos de 1996 a internet AINDA era à vapor, logo, baixar musica em mp3 - ESQUECE... o que rolava eram musiquinhas de kbites de tamanho chamadas comumente de MIDI. A PARTIR DALÍ MINHA VIDA MUDOU!!!
 
MIDI
 
Abreviatura de "Musical Instrument Digital Interface". Trata-se de uma linguagem, um protocolo, um conjunto de instruções, que seja... muito comum desde os anos 80 entre os profissionais do audio onde se podia usar teclados, sintetizadores etc para tocar arranjos pré programados usando uma biblioteca de diversos instrumentos sintetizados. Um exemplo muito parecido é o teclado do seu PC:
você aperta um botão que envia uma mensagem para a CPU que interpreta esse mesmo sinal como uma tarefa qualquer... p.ex.: aparecer uma letra na sua tela. Agora imagine você apertar uma tecla qualquer e, em vez de aparecer uma letra na sua tela, soa uma nota musical tocada por um instrumento sintetizado pelo seu computaror (ou qualquer outra interface) na sua caixinha de som?! Legal, né? O MIDI está em toda parte, desde o seu tecladinho CASIO de brinquedo, no laptop da xuxa da sua filha, no seu Videogame... tudo se usa MIDI. Não vou entrar muito em detalhes... se você quiser se aprofundar mais no assundo, o início de tudo está descrito aqui.
O Meu estalo mental se deu quando descobri um programinha que me permitia criar MIDIs por meio de partitura e/ou Piano Roll (Uma espécie de tabela Cartesiana onde se trabalhava entre notas e tempos): o Session. Claro que a qualidade do som dos instrumentos da minha biblioteca que vinha da minha placa de som onboard era um pouco melhor que o som do Master System (lembra??). Mesmo assim, MEUS PROBLEMAS ACABARAM!!! Agora era só escrever as partes de cada instrumento, no meu caso Bateria, Baixo e Strings e meu arranjo estava pronto! Mas como gravar???
 
GAMBIARRAS
 


Pagar estúdio pra gravar era muito caro. A idéia que tive foi Ligar minha Guitarra Eagle Strato numa Zoom 505, um bom e velho gradiente que tinha ligado no PC e uma fita de cromo BASF. FOI A MINHA PRIMEIRA GRAVAÇÃO ANALÓGICA!!! Bom, pelomenos uma boa parte, pois o MIDI vinha do Digital, porém naquela época não era tão simples tranformar os Arquivos MIDI em Wave. Mp3 então, nem pensar! Então eu pluguei minha Eagle na entrada de Mic do meu gradiente, a saida liguei na entrada Aux da placa onboard. A saida Line Out liguei na entrada Aux do Gradiente. REC + PLAY e manda bala!!! (como um duplo deck era útil naquele tempo!) Ah como foi divertido! A Emoção de ver um trabalho seu sendo reproduzido no seu som não tem preço... eu era apenas um garoto dando seu jeito para fazer da melhor forma possivel o que gravadoras gastavam milhões para fazer (naquela época ainda era assim) .

 
A VANGUARDA DA GRAVAÇÃO DIGITAL
 
Interessante como em meados dos anos 90 a moda do "faça você mesmo" na era da informática estava começando a surgir. A Creative criou o "Wave Studio" onde poderiamos adicionar "efeitos" como Reverbs, Delays e processa-los digitalmente em enormes arquivos .wav ultra pesados para a época (o PC de luxo era um Pentium II com 16Mb de memória RAM e 850Mb de HD!). Depois surgiu o "Cool Edit Pro" (não lembro o nome do fabricante) onde era possível realizar gravações digitais Multitrack. Em pouco tempo, se podia fazer, de certa forma, o mesmo que que se fazia nos estudios profissionais. Pelo menos era isso que os fabricantes dos primeiros softwares de Gravação Digital (DAW - Digital Audio Workstation) diziam... o que faltava era o conhecimento, ainda muito longe de ser difundido na internet (e ainda é, se formos pensar em informações confiáveis com respeito a produção caseira, semi ou profissional).
Em meados da década de 2000, com o preço relativamente baixo dos Hardwares especializados em Gravação Digital, ficou bem mais fácil e barato produzir musica no fundo da garagem ou no seu quarto com tecnologia muito "melhor" (entenda-se "mais avançada") que o equipamento Top de Linha dos anos 60 e 70! Quanto a qualidade do produto final... aí já são outros quinhentos.
 
O CÉU E O INFERNO DA REVOLUÇÃO DIGITAL
 
Dias atuais... Agora com uma interfaçe de Audio que grava em 24bits/96KHz, um PC montado, um catatau de Plugins baixados da internet ou comprados, simuladores dos equipos mais lendários, afinadores milagrosos, edição de audio... em fim... temos a nossa disposição inúmeras ferramentas para nos ajudar a manipular o audio de formas que George Martin nunca imaginaria fazer nos anos 60. Desafinou? Existem poderosos plugins que corrigem a nota desafinada. O Batera atravessou um pouquinho? Podemos "Quantizar" o audio, deixando ele certinho com o click do metrônomo. Seu amp é uma Merda? Liga a guitarra em uma DI, espeta em Linha e use os simuladores dos amps mais fodasticos e lendários da história... Passou pelo que eu passei, de não achar baterista de jeito nenhum? A tecnologia MIDI está cada vez mais avançada com os Samplers mais poderosos da atualidade que fazem o som da sua batera eletronica ou da sua lata velha lá da sua garagem soar como uma Tama, uma DW... Milhões de Dólares em equipamentos, verdadeiras obras de arte empacotadas em alguns Gigabites. Tudo à sua disposição. Agora ficou fácil gravar seu material próprio em casa e ganhar milhões por conta própria, certo? Não necessariamente.
 
O que poderia ser o Paraíso da Produção Musical acabou se tornando um convite a Preguiça. O ato Estudar Musica se tornou algo "não tão necessário" na mente de muitos, onde foi criado o péssimo vicio de "deixa assim mermo, agente corrige isso na mixagem..." daí o pobre Engenheiro de Mixagem "dá nó em pingo d´água" pra Afinar, Quantizar, Equalizar... 
É muito mais facil a Modelo deixar o editor dar um banho de Photoshop nas fotos "mais ou menos" do que ela mesma fazer dieta, malhar, se cuidar... em fim:  FAZER O SEU TRABALHO!!!
Simuladores de todos os tipos se não forem usados com cuidado podem deixar o trabalho final "magro", sem vida, pior que quando foi Gravado sem processamento algum simplismente por estar "Perfeito demais". A verdade é que a facilidade na aquisição de equipamentos para Produção Musical não melhorou a qualidade dos musicos, das musicas ou do mercado fonográfico. Foi bom sim, para o bolso dos fabricantes e das empresas de publicidade que prometem milagres com seus equipamentos quando o verdadeiro poder está nas mãos do produtor... isto é, VOCÊ
 
NÃO TENHA MEDO DE IMPROVISAR
 
Quando eu estava no meu quarto na ocasião citada acima, eu só queria ouvir a musica que eu fiz registrada da melhor forma que eu pudesse deixar. E olha que eu nem sabia o que era um compressor. No máximo um Reverb. Confesso que as vezes acho que as minhas melhores produções foram feitas com Mics de PC colados com Fita adesiva num Amp Wattsom, sem exagero. Ainda me pergunto por que, mas acho que é devido ao fato de eu não ter outra escolha senão dar o meu melhor usando o pouco que tinha para registrar um caminhão de emoções. Eu não conhecia 10% das técnicas e ferramentas que conheço hoje e ainda luto contra a tendência de perder aquele "sentimento de aventura", de não ter medo de experimentar e tentar buscar o som que está dentro da minha cabeça, sem medo de girar e atochar os knobs, se for preciso. Confesso que a tentação de me prender e me perder no meio de tamanha enxurrada de informações e facilidades existentes no ramo da Produção Musical é grande!!! Mas, agora que tenho este post, caros amigos leitores, vou tentar me lembrar de quando o mundo era limitado, porém libertador. 
 
Gostaria de aproveitar que estou inaugurando posts sobre Produção Musical para recomendar àqueles que desejam aprender sobre esse assunto a Academia do Produtor Musical, do Mestre Dennis Zasnicoff.
E se você já é escolado nessa área mas quer aprimorar seus conhecimentos, recomendo a Edição BLACK na academia, com a parceria de Lisciel Franco. Aqui o bixo pega! 
black.academiadoprodutormusical.com
 
PS: Não achei a tal fita da musica que fiz quando tinha 15 anos. Está em algum lugar no meio da minha bagunça... se eu achar e arrumar um jeito de passar para digital, prometo que boto no soundcloud pra vocês.
 
Eu sou Ronald Sales e esse é o meu Blog ;)

4 comentários:

  1. Destruí muito aparelho de som dos meus país tentando as famosas gambiarras para gravar em casa. Algumas vezes davam certo, mas a qualidade. . .

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  2. aH É VERDADE!!! Gastei um dinheirinho tb qdo queimava as fontes de meu "Polyvox" por sobrecarga rsrsrs, tentando faze-lo saturar...
    A qualidade era precária... mas dava uma emoção qdo dava certo!!!

    Na hora de Produzir, essa deve ser a idéia! Não ter medo dos resultados pois daí pode surgir algo muito "vivo", legal de se ouvir...

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  3. Que bom que eu sou de uma geracao a frente ahahaha. Hoje so digitall!!


    Vc podia fazer o proximo post sobre o cenario instrumental no Brasil e no mundo ! a decadencia musical que estamos sofrendo agora.

    Nice Blog
    byebye

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